Plano de contas: o que é, como montar e modelo para serviço

Plano de contas é a lista que diz o que é cada gasto e receita. Veja como montar o seu, com grupos, níveis e um modelo para empresa de serviço e manutenção.

Você quer saber quanto gastou com combustível da equipe no trimestre e descobre que alguém lançou metade em “despesas gerais” e a outra metade em “veículos”.

Isso acontece quando a empresa não tem plano de contas, ou quando ninguém definiu em qual conta o combustível entra.

O que é plano de contas

Plano de contas é a lista organizada das categorias em que a empresa classifica cada receita e cada gasto. Ele responde a uma pergunta simples para cada lançamento: o que é isso?

Aluguel, salário do técnico, venda de peça, tarifa bancária. Cada um tem a sua conta. Quando todo lançamento cai numa conta, a empresa consegue somar, comparar e montar a DRE e o fluxo de caixa sem refazer nada à mão.

O plano de contas contábil, o que o contador usa, também inclui ativo, passivo e patrimônio. Este post trata do plano de contas gerencial: as contas de receita, custo e despesa que o dono usa para decidir.

Grupos e níveis do plano de contas

O plano de contas é uma árvore. No topo ficam os grupos. Abaixo deles, as contas onde você lança.

Grupo (nível 1). Junta contas da mesma natureza: Receitas, Deduções, Custos, Despesas operacionais, Resultado financeiro.

Subgrupo (nível 2), quando precisar. Separa dentro do grupo. Em Despesas operacionais, por exemplo, você pode ter Pessoal administrativo e Estrutura.

Conta analítica (último nível). É onde o lançamento acontece: “Aluguel”, “Combustível da equipe”, “Receita de contratos”.

Duas regras evitam bagunça. A primeira: só se lança na conta do último nível, e o grupo serve para somar. A segunda: três níveis bastam para uma empresa de serviço. Com mais que isso, o relatório vira uma lista longa demais para ler.

O código de cada conta mostra onde ela está na árvore. A conta 4.2 é a segunda conta do grupo 4. Isso ajuda a ordenar o relatório e a achar a conta rápido no lançamento.

Como cada conta aparece no DRE e no fluxo de caixa

Cada conta do plano precisa estar ligada a uma linha do DRE e a uma atividade do fluxo de caixa.

A linha do DRE é uma destas: receita bruta, dedução, custo, despesa operacional, resultado financeiro ou imposto sobre o lucro. Com ela, o DRE mostra o lucro bruto e o resultado sem você reclassificar nada.

A atividade do fluxo de caixa (DFC) é uma destas:

  • Operacional: o dinheiro do dia a dia, como receber de cliente, pagar fornecedor, salário e imposto.
  • Investimento: compra e venda de ferramenta, veículo e equipamento.
  • Financiamento: entrada e pagamento de empréstimo, aporte e retirada dos sócios.

Algumas contas aparecem no fluxo de caixa e ficam fora do DRE. A compra de um equipamento sai do caixa e vira patrimônio, por isso fica fora das despesas do mês. O pagamento do principal de um empréstimo também. Só os juros vão para o DRE. Na contabilidade, o equipamento costuma entrar no DRE aos poucos, pela depreciação, e vale conferir com o contador como ele trata cada compra.

Por isso a conta “Compra de ferramentas” não pode estar dentro de “Despesas operacionais”. Se estiver, o mês da compra parece um prejuízo que não existiu.

Modelo de plano de contas para empresa de serviço e manutenção

O modelo abaixo serve de ponto de partida para uma empresa que vende serviço e peça, com equipe na rua e clientes com contrato.

Adapte os nomes à sua operação e confirme com o seu contador a classificação dos impostos, que muda conforme o regime tributário, e a das compras de ferramenta e equipamento.

CódigoContaGrupoOnde aparece no DREOnde aparece no DFC
1.1Receita de contratos de manutençãoReceitasReceita brutaOperacional
1.2Receita de serviços avulsos e chamadosReceitasReceita brutaOperacional
1.3Venda de peçasReceitasReceita brutaOperacional
2.1Impostos sobre serviçoDeduçõesDeduçõesOperacional
2.2Impostos sobre venda de peçasDeduçõesDeduçõesOperacional
2.3Devoluções e cancelamentosDeduçõesDeduçõesOperacional
3.1Custo das peças vendidas (CMV)CustosCustosOperacional
3.2Salários e encargos dos técnicosCustosCustosOperacional
3.3Combustível, pedágio e deslocamentoCustosCustosOperacional
3.4Material de consumo aplicado no clienteCustosCustosOperacional
3.5Serviços de terceiros na obraCustosCustosOperacional
4.1Salários e encargos do escritórioDespesas operacionaisDespesas operacionaisOperacional
4.2Aluguel e condomínioDespesas operacionaisDespesas operacionaisOperacional
4.3Energia, água e telefoneDespesas operacionaisDespesas operacionaisOperacional
4.4Contador e serviços administrativosDespesas operacionaisDespesas operacionaisOperacional
4.5Sistemas e softwareDespesas operacionaisDespesas operacionaisOperacional
4.6Marketing e comercialDespesas operacionaisDespesas operacionaisOperacional
5.1Rendimentos de aplicaçãoResultado financeiroResultado financeiroOperacional
5.2Tarifas bancáriasResultado financeiroResultado financeiroOperacional
5.3Juros de empréstimoResultado financeiroResultado financeiroFinanciamento
6.1Impostos sobre o lucroImpostosImpostos sobre o lucroOperacional
7.1Compra de ferramentas e equipamentosInvestimentosFica fora do DREInvestimento
7.2Compra de veículosInvestimentosFica fora do DREInvestimento
8.1Entrada de empréstimoFinanciamentosFica fora do DREFinanciamento
8.2Pagamento do principal de empréstimoFinanciamentosFica fora do DREFinanciamento
8.3Retirada dos sóciosFinanciamentosFica fora do DREFinanciamento

Contrato separado de chamado avulso. As duas receitas se comportam de forma diferente: o contrato é recorrente e previsível, e o chamado depende do mês. Com as duas separadas, você vê se a empresa vive do contrato ou do improviso.

Salário do técnico em custos. O técnico entrega o serviço, então o salário dele é custo do que você vende. O salário do escritório é despesa. Se os dois ficam juntos, você perde o lucro bruto do serviço.

Juros em financiamento. Algumas empresas classificam juros pagos como operacionais no fluxo de caixa, e as duas formas são usadas. Escolha uma com o contador e mantenha.

Como montar o plano de contas da sua empresa

  1. Comece pelo relatório. Pense nas perguntas que você quer responder: quanto ganho em peça, quanto gasto com deslocamento, quanto custa o escritório. Cada pergunta vira uma conta.
  2. Use os grupos do DRE como nível 1. Receitas, deduções, custos, despesas e resultado financeiro. Mais os grupos que ficam fora do DRE: investimentos e financiamentos.
  3. Crie poucas contas. Uma conta que recebe um lançamento por ano não precisa existir. Junte numa conta parecida.
  4. Dê a cada conta a sua linha do DRE e a sua atividade do DFC. Faça isso ao criar a conta.
  5. Escreva uma regra para os casos duvidosos. “Peça usada na garantia vai para 3.4.” Quem lança segue a regra, e o relatório fica igual todo mês.
  6. Revise depois de três meses. Veja quais contas ficaram vazias e quais viraram depósito de tudo.

Erros comuns no plano de contas

  • A conta “Outros” ou “Despesas gerais”. Ela cresce até virar a maior linha do DRE e ninguém sabe o que tem dentro.
  • Conta por fornecedor. Uma conta “Posto do Zé” repete o que o lançamento já diz. Lance em Combustível, com o fornecedor no lançamento.
  • Conta por cliente ou contrato. Para separar por cliente, use centro de custo. O plano de contas diz o que é o gasto, o centro de custo diz para quem.
  • Mudar o plano todo ano. A comparação entre anos se perde.

Plano de contas no Bento

No Bento ERP, cada conta do plano de contas tem a sua categoria de DRE e de DFC. As contas de grupo somam as contas abaixo delas, e os relatórios respeitam essa árvore.

Com o plano montado, o DRE sai por regime de caixa ou de competência, com análise vertical, e o fluxo de caixa sai diário e mensal. Os centros de custo, com rateio, ficam ao lado do plano de contas para separar o resultado por contrato.

Cada conta a pagar, conta a receber e lançamento recebe uma conta do plano, inclusive as contas a pagar que nascem das notas de compra baixadas da SEFAZ. O relatório do fim do mês sai dessa classificação.

Para conferir se os lançamentos batem com o banco, veja a conciliação bancária.

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